Existem muitas praias com o nome de areinho. Ovar também tem uma praia do Areinho, outrora muito afamada. Areinho é o areal que se forma ao pé de uma superfície de água, como é caso desta, que se forma junto à Ria de Aveiro. A praia do Areinho fica a meia distância do centro da cidade de Ovar e da praia do Furadouro, cerca de dois quilómetros para cada lado. Pela sua qualidade, beleza natural e temperatura amena da água, esta praia sempre foi muito procurada, inclusive por turistas estrangeiros, até há poucas décadas.
A praia do Areinho em 1982 e 1994
Em 1965 foi efectuado o levantamento topográfico de duas ilhotas ali existentes, com vista à construção de um restaurante panorâmico. Com projecto do competente arquitecto Cruz de Lima, do Porto, técnico da Câmara Municipal de Ovar, a excelente obra nasceu no início da década de setenta, tomando o nome de Restaurante Vela Areinho, tendo a madeira como principal matéria-prima, tornando-se num autêntico “ex libris” e uma referência daquela praia.
Restaurante sim, praia não!
Na década de oitenta, chegou a pensar-se para a segunda ilhota, a mais pequena, a construção de um heliporto, com ligação privilegiada a Espinho. No entanto, o projecto não passou dos primeiros estudos, através dos serviços técnicos da Câmara Municipal de Ovar. O agora renovado restaurante Vela Areinho recuperou o prestígio perdido e é um agradável ponto de encontro e de agradável convívio.
O Restaurante Vela Areinho, na actualidade
Já a contígua praia do Areinho continua a perder banhistas, e os que lá vão olham desconfiados a cor negra das suas areias, outrora bem mais branquinhas. A poluição é muita e os perigos para a saúde dos incautos é enorme. A praia também foi perdendo algum equipamento, como pranchas de salto e escorregas, que faziam as delícias de grandes e pequenos.
A poluição da Praia do Areinho e os Desportos Náuticos na Ria
Numa altura em que se fala tanto de ambiente, poluição e qualidade de vida, os veraneantes têm muito por onde escolher, não se metendo numa praia calma, paradisíaca, mas duvidosa, e onde saúde e esgotos não combinam. É tempo de recuperar este paraíso natural, é tempo de apostar no turismo. A Ria de Aveiro agradece.
Quem pode inverter a situação? A pergunta aqui fica.
Joaquim Castro (joaquimdecastro@gmail.com)